Capítulo 06
Nirvana Cor-de-Rosa
Letra
Nem que um santo surgisse gloriosoNaquela segunda na porta da sala,Causaria o espanto, o tremor silenciosoQue a tua figura no peito instala.Eu, que ensaiava um passo de cura,Virei atriz de um teatro banal.Diante da tua improvável figura,Fiz do meu caos um ritual rotineiro e normal.
Que cena demente, que cena nonsense,Tu falas de lucros, eu sinto o teu cheiro.O índice sobe, o mercado te vence,E eu sou a miséria de um sonho inteiro.Entre um IBOVESPA e um gesto contido,Eu conto os botões da tua camisa rosa.O desejo é um bicho, um grito bandidoPreso na rede da minha moral rigorosa.
Mas em meio ao pífio e frio convite,Tua voz como um dardo lançou o “querida”.Foi chave de ouro, foi nota, foi limiteDecodificando a minha alma ferida.Fitei tuas mãos... Ah, que mãos tão gigantes,Pulsando a vontade de as entrelaçar.Mas mantive o freio das almas distantesEnquanto o meu corpo insistia em queimar.
Tive pena de mim, tive pena de tiNesse desencontro de tanta nobreza.O Nirvana dos Budas eu enfim atingiAo não te tocar com tamanha firmeza.Minhas cinzas serão liberdade e mar,Sem carma, sem volta, sem ter que explicarPor que não rasguei tua camisa de corPra morrer de pecado, de vida e de amor.