Capítulo 08
Controle Tépido
Letra
Quanto tempo dura para o coraçãoExorcizar um amor que não foi?Dói mais o que é fumaça, o que é imaterialO sentimento contido é o que mais dói.
Ficou tudo no ar, tudo imaginadoQuiçá mistificado na minha intenção.Me aferrei ao que era mais douradoPois a realidade... essa não brilha, não.
Eu preciso cantar, é a minha catarseFazer ecoar o que não pude dizer.É o meu amor-próprio tentando que se acheNesse vexame intenso que eu fiz acontecer.Eu me dei demais, me expus ao excessoE você? Frio silêncio e retrocesso.
Uma crônica perfeita a la Roberto FreireCometi os vexames dessa órbita vã.A ausência de um gesto seu me fereFrustração que renasce a cada manhã.
Você não faz ideia do que você perdeu:Uma mulher febril, cheia de verdade.Mas você me esnobou, o seu sinal morreuNum controle tépido, sem identidade.
Eu quis morar nos teus olhos negrosSonhei haver neles intentos secretos.Mas eles são baços, são só o espelhoDe um homem comum, de planos discretos.Incapaz de se dar, incapaz de correr riscosPreso às amarras, às leis, aos apriscos.Tanto melhor que não tenha sido!A frustração é menor que o seu vazio desmedido.
Mas eu refloresço, eu vou amar de novoOutro alguém virá pra esse amor que clama.O tempo responde, eu não sou o estorvoSou o fogo vivo que ainda se inflama.
E quando alguém me amarcomo eu mereço ser amadaVou esquecer teus olhoscomo a uma sombra banal.Vou rir dessa loucura,das minhas mancadasE me lembrar de mimDando um adeus final.